Biomares

O projecto Biomares nasceu da ideia de ajudar a preservar e a recuperar a biodiversidade do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, incluído no Parque Natural da Arrábida. Os estudos até agora realizados revelam que este Parque Marinho apresenta, do ponto de vista da conservação, aspectos extremamente interessantes e importantes a preservar. No entanto, dada a complexidade técnica e custo financeiro para implementar as medidas de protecção e gestão, foi necessário recorrer a fundos comunitários e co-financiamento, bem como a especialistas de universidades e centros de investigação portugueses e estrangeiros.

O projecto Biomares veio proporcionar os meios financeiros e técnicos necessários à implementação de infra-estruturas que permitem conciliar as actividades náuticas e de recreio com a conservação das áreas mais sensíveis Habitat 1170 - “Recifes” e Habitat 1110 - “Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda”. Por outro lado, também veio possibilitar a reunião e colaboração de especialistas em matéria de recuperação de habitats marinhos, de modo a que seja possível implementar no terreno as medidas técnicas de recuperação das pradarias marinhas.

Acções do Projecto

O projecto Biomares inclui várias acções entre as quais se destacam:


Monitorização da biodiversidade dos recifes rochosos

A monitorização das comunidades de peixes e invertebrados comerciais dos recifes rochosos através de censos visuais mostra que existe uma maior densidade e ainda maior biomassa de indivíduos das diferentes espécies na área de proteção total. Isto indica que as espécies observadas são proporcionalmente maiores nessa zona em comparação com as áreas de proteção complementar e parcial, apresentando estas últimas valores intermédios. O número total de espécies registadas também foi superior nas áreas de proteção total e parcial em relação às complementares.

A telemetria acústica consiste na marcação de animais com transmissores acústicos e tem sido utilizada para estudar as áreas de utilização e habitats preferidos de algumas espécies importantes do ponto de vista comercial ou com interesse de conservação no Parque Marinho.

Monitorização da biodiversidade dos substratos móveis

Nos fundos do Parque Marinho predominam os substratos móveis – areia e lodo. Assim, desde 2008 que se tem vindo a monitorizar as comunidades de peixes nestes substratos. Esta monitorização tem sido feita recorrendo a pesca experimental com tresmalho (libertando os indivíduos após a captura) e conta com os dados de 12 campanhas realizadas ao longo de seis anos. Estes dados permitem avaliar a abundância e biomassa de peixes, comparando os três níveis de proteção do Parque Marinho ao longo do tempo.

Evolução da utilização do espaço

O acompanhamento da evolução da utilização das diferentes zonas do parque por parte dos diferentes tipos de pesca comercial ao longo do tempo (antes, durante e após a implementação do plano de ordenamento) mostrou que existem em geral zonas de pesca preferidas de cada embarcação que são consistentes ao longo do tempo.

Recuperação de pradarias

A recuperação das pradarias de ervas marinhas existentes no Portinho da Arrábida, com vista à restauração da biodiversidade que lhes estava associada, contribuiu para a recuperação de um dos habitats mais produtivos do Parque, e cuja importância na renovação dos recursos marinhos é também significativa. Esta recuperação tem sido efetuada através do transplante de plantas marinhas recolhidas em locais dadores (principalmente a Ria Formosa).

As populações dadoras foram alvo de um mapeamento e acompanhamento especial para avaliação do impacto da retirada de plantas. Foram também efetuadas experiências em meio controlado com germinação de sementes e desenvolvimento de plantas a partir de sementes de modo a aumentar a diversidade genética da população transplantada.

Apesar dos constrangimentos naturais que inicialmente dificultaram o sucesso desta tarefa, uma área transplantada em 2011 com 11 m2 da planta Zostera marina persistiu e expandiu a sua área na praia dos Coelhos. Em Agosto de 2016 esta mancha tinha já aumentado várias vezes o tamanho inicial (para cerca de 75 m2). As folhas de cerca de 40 cm e a densidade de cerca de 450 plantas/m2 servem já de refúgio e abrigo a diversas espécies de fauna, protegendo especialmente fases juvenis (“efeito de maternidade” deste habitat). A tarefa de recuperação das pradarias marinhas continua, mas requer um trabalho muito intenso e o seu crescimento é um processo naturalmente lento.

Visões dos utilizadores das praias do Parque Marinho

A compreensão da forma como os utilizadores das áreas protegidas as percepcionam e utilizam pode ser um importante contributo para a sua gestão. Assim, no âmbito do BIOMARES, foi importante compreender a visão e os padrões de usos dos utilizadores do PMPLS.

Sensibilização ambiental

Para que as medidas de gestão tenham os resultados desejados é essencial a participação ativa e envolvida de todos os seus utilizadores. Neste sentido, a educação e divulgação ambientais assumem um papel central, pois transmitem à população os valores a proteger e os problemas associados à perda da biodiversidade.

Equipa e Parceiros

Centro de Ciências do Mar do Algarve

O Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) é o responsável do projecto perante a União Europeia. Foi quem apresentou a candidatura técnico-científica ao programa LIFE. este centro de investigação, alojado na Universidade do Algarve, centra o seu trabalho na investigação de temas associados ao meio marinho, num leque que abrange desde a temática da aquacultura, dos recursos pesqueiros, ecologia dos ecossistemas costeiros, biodiversidade e genética.

Coordenação Científica:
Ester Serrão | Karim Erzini

Coordenação Executiva:
Paulo Frias | Sílvia Tavares

Participantes:
Bárbara Horta e Costa | Diogo Paulo | Inês Sousa | Isidoro Costa | Joana Boavida | Jorge Assis | Jorge Gonçalves | Maria Klein | Rita Borges

Centro de Ciências do Mar do Algarve

Instituto Superior de Psicologia Aplicada

O Instituto de Psicologia Aplicada (ISPA) participa neste projecto através da Unidade de Investigação em Eco-Etologia (Unidade de I&D reconhecida pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia) que tem estudado a região nos últimos 20 anos, com particular incidência na ecologia e conservação das comunidades de peixes costeiros.

Coordenação Científica:
Emanuel Gonçalves

Participantes:
Ana Faria | Carla Quiles | Diana Rodrigues | Gustavo Franco | Pedro Coelho

Instituto Superior de Psicologia Aplicada

Instituto de Conservação da Natureza e Florestas

O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) é organismo da administração indirecta do Estado sob tutela do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional que executa a política de Conservação da Natureza e das Florestas e gere as Áreas Protegidas. Das suas atribuições destacam-se: a gestão sustentável de espécies da flora e fauna selvagens; a classificação de Áreas, terrestres e marinhas, gerindo as de interesse nacional e colaborando na gestão das de âmbito regional ou local; a integração dos objectivos de conservação e de utilização sustentável dos recursos naturais na política de Ordenamento do Território e nas políticas sectoriais; a implementação da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e das Florestas e a concepção do Programa Nacional de Conservação da Natureza; a promoção da informação, visitação e sensibilização das populações e instituições na área da Conservação da Natureza e das Florestas; e o assegurar do cumprimento do Direito internacional e comunitário em matéria de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Coordenação Científica:
Miguel Henriques

Participantes:
Mafalda Gaspar Anjos

Instituto de Conservação da Natureza e Florestas

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) é parceiro do projecto responsável pelo conhecimento mais aprofundado da realidade socioeconómica do Parque Marinho.

Participantes:
Carlos Silva Pereira | António Rodrigues | Ricardo Mendes

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Companhia Geral de Cal e Cimento S.A.

Companhia Geral de Cal e Cimentos S.A. (SECIL) é a entidade co-financiadora do projecto. Esta empresa assegura a produção de cerca de 4 milhões de toneladas de cimento por ano, destinadas principalmente ao mesclado português. A SECIL apoia o projecto Biomares no âmbito da sua política de consciência e responsabilidade social e ambiental, acreditando que o desenvolvimento económico, enquanto gerador de riqueza é compatível com o respeito pelo património ambiental do planeta.

Companhia Geral de Cal e Cimento S.A.