Museu Oceanográfico do Portinho da Arrábida

No Museu Oceanográfico, o visitante pode conhecer a fauna do Parque Marinho da Arrábida e de toda a região onde este se insere.

Trata-se de uma janela para vislumbrar a vida subaquática. Ao mesmo tempo é possível conhecer os problemas de conservação que afectam a área, sensibilizando-se para apoiar a acção que o Parque Natural da Arrábida desempenha na região.

Localização: O Museu Oceanográfico está instalado na Fortaleza de Sta. Maria, no Portinho da Arrábida. Localiza-se bem sobre a costa, entre Setúbal e Sesimbra, permitindo um contacto muito próximo entre os visitantes e o ambiente marinho.

Horário: Aberto ao público de 3ª a 6ª feira das 10h às 16h e Sábados das 15h às 18h. Encerra às 2ª feiras, Domingos e Feriados. Entrada Gratuita.

Contactos: Fortaleza de Sta Maria, Portinho da Arrábida, 2925-378 Azeitão | Tel: 265-009-982 | Email: museuoceanografico@gmail.com

A História do Museu

A Fortaleza de Sta. Maria foi mandada construir em 1676 por D. Pedro a pedido dos frades do Convento da Arrábida para defesa da costa contra os ataques dos corsários. Passou a integrar uma guarda avançada na linha de fortificações que defendiam e observavam a costa.

Hoje, a fortaleza ainda é dedicada à protecção da costa, albergando o Museu Oceanográfico e um laboratório de campo de biologia do Parque Marinho do Parque Natural da Arrábida onde se realizam estudos com vista à protecção do ambiente costeiro marinho. Em homenagem ao cientista que muito dedicou ao estudo biológico e alerta para a protecção desta costa, o museu foi re-baptizado recentemente como Museu Oceanográfico Professor Luiz Saldanha.

Luis Gonzaga do Nascimento

Naturalista Setubalense, fundador do Museu Oceanográfico.

Filho de um armador de pesca de Setúbal, LGN mostrou, desde novo, grande interesse pela natureza da região atingindo um elevado grau de especialização no que respeita à fauna marinha. No principio do século inicia uma verdadeira colecção de referência da fauna marinha da região (Estuário do Sado, Costa da Galé, da Arrábida e Sesimbra e mares profundos da zona do Cabo Espichel).

Chegou a possuir, juntamente com o Príncipe Alberto do Mónaco, das maiores colecções de esponjas. Outros invertebrados marinhos, como os crustáceos e os moluscos, também figuraram ricamente nas suas colecções. Os peixes foram o grupo mais trabalhado tendo multas das suas descobertas contribuído para o desenvolvimento do conhecimento da ictiologia em Portugal.

Ainda jovem, LGN é nomeado sócio correspondente do Museu Britânico de História Natural e do Museu de Madrid. Mais tarde, colabora no boletim da Sociedade de Oceanografia Nipónica a convite da Universidade Imperial do Japão e na edição do catálogo dos peixes ibéricos publicado no Boletim do Instituto Espanhol de Oceanografia. Em 1939, Gustav Stiasny da Universidade de Leiden, Holanda, num artigo de revisão sobre os invertebrados marinhos, gorgónias de Portugal, homenageia LGN atribuindo o seu nome a uma espécie e uma variedade nova (Leptogorgia gonzagai e Eunicella ctenocelloides var. nascimentoi).

Dizem alguns Setubalenses que conheceram LGN pessoalmente, que ele foi contactado pelo Rei D. Carlos I que procurava um seu segredo de bem conservar os peixes com as cores originais. Segundo estes seus contemporâneos, o segredo nunca foi revelado, não sendo hoje possível sabermos se, de facto, tal segredo existiu.

Durante a primeira metade do século, numerosos investigadores portugueses, das Universidades do Porto, Coimbra e Lisboa, desenvolveram a ictiologia em Portugal, altura em que novas espécies para a nossa costa surgiam a um ritmo elevado. Podemos destacar alguns, como Nobre, Seabra e Helling, com referência nas suas obras às contribuições de LGN.

O espólio é doado à cidade de Setúbal (Junta da Província da Estremadura) em 23 de Janeiro de 1955 constituindo-se o “Museu Oceanográfico e de Pescas de Setúbal”. Luis Gonzaga do Nascimento fica como conservador do museu até adoecer em 1959, anos antes de morrer. O Museu funcionou em Setúbal até finais dos anos 80.