Parque Marinho Prof. Luiz Saldanha

Trata-se da área marinha Protegida (+info) do Parque Natural da Arrábida (criado em 1998 através do DR. Nº 23/98 de 14 de Outubro) com cerca de 53 km2 de área correspondente aos 38 km de costa rochosa entre a praia da Figueirinha, na saída do estuário do Sado e a praia da Foz a norte do Cabo Espichel.

Apresenta uma variedade grande de fundos de natureza rochosa e arenosa numa gama de profundidades até aos 100 metros. Entre zonas muito abrigadas da agitação marítima, como no caso das numerosas enseadas existentes na base das escarpas costeiras, até zonas de forte ondulação como no Espichel, este parque está ainda incluído na lista nacional de sítios da Rede Natura 2000 - sítio Arrábida-Espichel.

É uma área com elevadíssima biodiversidade, conhecendo-se cerca de 1350 espécies da fauna e flora marinhas. A sua riqueza não tem igual quer a nível nacional quer europeu. Desde sempre que é conhecida por ter suportado importantes pescarias, estando ainda associada ao despertar da oceanografia biológica em Portugal nos finais do séc. XIX com os trabalhos do Rei D. Carlos e de outros naturalistas locais e das grandes universidades da altura.

Localizada na grande área metropolitana de Lisboa, esta área tem solicitações muito intensas e variadas, desde o lazer a uma série de actividades económicas de onde se destaca a pesca. Este conjunto de pressões humanas revela-se muitas vezes conflituosa com os valores naturais pelo que se tornou necessário uma protecção especial deste sector da costa através da sua inclusão no Parque Natural bem como o seu zonamento e regulamentação.

Mapa do Parque Marinho

Biodiversidade e Habitats

Florestas de algas castanhas

As florestas de algas castanhas (kelp) são importantes zonas de proteção, reprodução e alimentação para uma grande diversidade de espécies animais, nomeadamente, peixes e invertebrados de elevado valor comercial. No Parque Marinho existem 4 das 13 espécies europeias. As populações destas espécies são caracterizadas por elevadas flutuações interanuais, encontrando-se algumas delas em regressão relacionada com o aumento da temperatura da água e consequente redução de nutrientes nas zonas sul de distribuição, como é o caso da região onde se insere o Parque Marinho.

Florestas de algas castanhas

Bancos de Atrina

A região da baía de Setúbal, que inclui uma parte importante do Parque Marinho bem como os fundos arenosos adjacentes à península de Tróia até Sines, encerra importantes recursos a nível dos bivalves (apesar de faltar ainda uma avaliação detalhada da ocorrência das diferentes espécies) que têm sido tradicionalmente explorados de forma intensiva. Ainda antes da criação do Parque Marinho a baía do Portinho continha importantes quantidades de amêijoa, um dos principais alvos das embarcações que operam com ganchorra.

Ervas marinhas

O Parque Marinho perdeu nos últimos 20 anos os 10 ha de plantas marinhas que cobriam o fundo na zona do Portinho da Arrábida. Durante o projecto BIOMARES têm sido feitos muitos esforços para recuperar as pradarias de plantas marinhas na baía do Portinho da Arrábida.

Ervas marinhas

Corais

Os povoamentos a partir dos 60m de profundidade são dominados por espécies de corais e esponjas que não se encontram nos recifes menos fundos. Estes povoamentos formam um habitat com complexa estrutura tridimensional, os bancos de coral. Incluem espécies raras, com distribuição extremamente fragmentada, e muito vulneráveis a impactos humanos pois apresentam uma elevada longevidade e crescem muito lentamente.

Larvas de peixe

O Parque Marinho é um local de enorme importância para a reprodução e crescimento de muitas espécies de peixes registando-se uma elevada densidade de larvas junto à costa (Figura 16). Da observação de mais de 37.500 larvas de peixes com tamanhos médios de ca 5 mm, identificaram-se, em 135 taxa, cerca de 80 espécies, incluindo várias com interesse comercial (ex: sardinha, carapau, linguado, sargo) ou de interesse para a conservação (ex: cavalo-marinho).

Larvas de peixe

Legislação

Resolução do Conselho de ministros nº 141/2005 de 23 de Agosto (Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida)
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Resolução do Conselho de Ministros nº 86/2003 de 25 de Junho (Regulamento do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Sintra-Sado)
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Decreto Regulamentar nº 23/98 de 14 de Outubro com as alterações introduzidas pelo Decreto Regulamentar nº 11/2003 de 8 de Maio (Reclassificação do Parque Natural da Arrábida / Criação do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha).
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Professor Luiz Saldanha

Naturalista, oceanógrafo.

Tendo começado como naturalista no Museu Nacional de História Natural, depressa a sua carreira de cientista se alargou a vários domínios: a conservação da natureza, o mergulho com escafandro, a oceanografia com missões em todo o mundo até às profundidades abissais das fontes hidrotermais. Publicou mais de uma centena de trabalhos científicos, foi responsável por diversos organismos nacionais e internacionais ligados à conservação da natureza, à investigação e gestão dos recursos marinhos e teve um papel preponderante no ensino da biologia marinha na Universidade de Lisboa e outras.

Luiz Saldanha foi também um artista, desenhos a lápis e aguarelas acompanharam a sua carreira, ilustrando cadernos de viagem, campanhas e missões oceanográficas por todo o mundo.

A sua ligação à Arrábida verificou-se cedo na sua carreira, logo desde os seus trabalhos de doutoramento efectuados precisamente na costa da Arrábida. Desta forma, o seu contributo para o conhecimento desta costa veio juntar-se a outros importantes como os de D. Carlos I e Luis Gonzaga do Nascimento. Os seus alertas para a necessidade de protecção da costa da Arrábida começaram em 1965 com uma proposta ao Ministério da Marinha para a criação de uma reserva marinha, mas, só em 1998, este longínquo esforço é concretizado com a inclusão de um Parque Marinho no Parque Natural da Arrábida, denominado Parque Marinho Professor Luiz Saldanha em sua homenagem.